O “Outubro Rosa” é um movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, criado no início da década de 1990 pela Fundação Susan G. Komen for the Cure.
A data, celebrada anualmente, tem o objetivo de compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade.
Para falar sobre o assunto, as marcas procuram desenvolver ações como: iluminação de prédios públicos com luzes cor de rosa, promoção de palestras, eventos e atividades educativas, além da veiculação de campanhas de mídia e disponibilização à população de informações em banners, folders e outros materiais ilustrativos.
Na teoria isso tudo é lindo e muito importante. Mas, e na prática? O conteúdo abordado nessas ações gira quase sempre em torno do autoexame, dos sintomas e da prevenção. Porém, existem outros assuntos reais e de grande relevância que precisam ser discutidos, indo além da cor e da campanha em si.
Desigualdade socioeconômica e falta de acesso à informação
Durante o mês de outubro, principalmente no começo, muito se fala sobre a importância do autoexame. Embora pareça simples teoricamente, na prática, inúmeras barreiras se apresentam. A desigualdade socioeconômica aprofunda essas dificuldades, especialmente para pessoas de baixa renda e com acesso limitado à educação formal.
O resultado é a falta de acesso a informações cruciais e a consultas médicas regulares, essenciais para informações diárias de como levar o autocuidado na prática.
Essas limitações tornam um exame, que é muitas vezes considerado simples e infalível, bastante complexo. A detecção precoce é fundamental, mas sem assistência e informações adequadas, o autoexame se torna um desafio. Isso pode levar a procedimentos e diagnósticos equivocados, provocando uma ansiedade e estresse compreensível.
Solução
A melhor maneira de obter um diagnóstico precoce é consultar um médico ginecologista periodicamente para esclarecer suas dúvidas e receber orientações adequadas sobre os exames recomendados para sua faixa etária.
Por isso, seja em cidades, estado ou no país todo, órgãos públicos devem estar atentos a levar a informação para pessoas de baixa renda, através de ações por meio do SUS, postos de saúde ou consultas médicas gratuitas.
Não basta apenas erguer a bandeira e iluminar o ambiente de rosa. É preciso detalhar em cada circunstância o que precisa ser feito e guiar as pessoas pelo caminho da prevenção e do autocuidado, gerando mais possibilidades para elas.
Inclusão: homens trans também fazem parte do assunto!
Dando continuidade aos fatos, sabemos que o Outubro Rosa é uma época em que a conscientização sobre a saúde das mulheres atinge seu pico. Mas há uma parte crucial dessa narrativa que muitas vezes é negligenciada: a falta de inclusão de homens trans.
Enquanto o mundo é “pintado” de rosa, é vital lembrar que os homens trans não são figuras invisíveis na sociedade. Eles existem, suas vidas importam e merecem ser incluídos nas campanhas de conscientização.
A falta de inclusão não apenas representa uma lacuna na conscientização, mas também pode levar a sentimentos de constrangimento e exclusão para essa minoria, já vulnerável. Em um mundo onde o preconceito é uma batalha diária para muitos, a ausência de representação em campanhas de saúde só agrava esses desafios.
Ignorar sua presença em campanhas de conscientização não apenas os exclui da conversa, mas também perpetua a ideia de que sua saúde é menos importante. É essencial reconhecer que as necessidades de saúde de todos, independentemente de sua identidade de gênero, são válidas e merecem atenção.
É hora de mudar essa narrativa. Isso não só educará o público sobre a diversidade de experiências de saúde, mas também enviará uma mensagem poderosa de aceitação e apoio.
A conscientização, autocuidado, informação e saúde deve ser uma jornada para todos, independentemente de sua identidade de gênero.
Solução
Deixar o preconceito de lado já é um grande passo. Fazer com que eles se sintam parte do assunto, promover ações de conscientização também voltadas ao tema e acolherem os homens trans diante de dúvidas sobre como praticar o autocuidado com o seu copo são formas de solucionar este problema real. Afinal, não é porque seu corpo está diferente, que os riscos não existem mais.
É fato que eles já enfrentam muitos desafios, o cuidado com a saúde não precisa ser mais um deles. O Outubro Rosa é para mulheres, mas é também para homens trans e para quem mais se sentir parte do assunto!
Em todos os casos, PREVINA-SE!
O autoexame, apalpando os seios, ajuda no conhecimento do próprio corpo, entretanto, não substitui o exame clínico das mamas realizado por um profissional de saúde treinado. Caso observe alguma alteração, procure imediatamente o serviço de saúde mais próximo. Mesmo que não encontre nenhuma alteração no autoexame, as mamas devem ser examinadas uma vez por ano por um médico especialista.
Ter uma alimentação saudável e equilibrada (com frutas, legumes e verduras), praticar atividades físicas e não fumar também são algumas dicas que podem ajudar na prevenção do câncer de mama!